Há um dito popular que afirma: “você é o que você come”. A cada dia podemos comprovar que ele é verdadeiro. Hábitos alimentares inadequados estão diretamente associados a diferentes doenças como câncer, diabetes, osteoporose e doenças cardiovasculares.
Em contrapartida, dietas ricas em fibras e com baixos teores de gorduras, aliadas a um estilo de vida saudável, protegem o organismo humano de várias doenças. A soja e seus derivados têm importante participação nesse quadro, pois se constituem num excelente “coquetel” nutricional, sendo ricos em proteínas de alta qualidade e contendo minerais.
Assim como vários grãos, a soja contém fitatos, compostos ricos em fósforo e que podem ser considerados antinutricionais, porque diminuem a absorção de minerais como cobre, zinco, cobalto, manganês, ferro e cálcio. No entanto, o feijão consumido fartamente no Brasil, possui maior conteúdo de fitatos que a soja (1,5% para a soja, 2,5% para o feijão).
Por outro lado, alguns estudos têm mostrado a ação benéfica dos fitatos à saúde, pois a retirada do excesso de ferro do organismo pode exercer efeito protetor contra o câncer, doenças cardiovasculares e, talvez, contra o desenvolvimento de diabetes e artrite.
O Simpósio Internacional sobre o Papel da Soja na Prevenção e Tratamento de Doenças Crônicas e Degenerativas é realizado desde 1994, a cada dois anos. A cada edição desse evento, são apresentados, em média, 100 trabalhos científicos escritos por médicos, bioquímicos, nutricionistas e outros profissionais da área da saúde.
Esses trabalhos têm sido publicados periodicamente no The Journal of Food Nutrition, uma publicação oficial da Sociedade Americana de Ciências da Nutrição.
Além dessa publicação, inúmeros trabalhos sobre o papel da soja na redução dos riscos de diversas doenças crônicas e degenerativas têm sido publicados, comprovando a ação da soja na melhoria da qualidade de vida e na manutenção da saúde.
No Brasil, vários trabalhos científicos nessa área estão sendo conduzidos por renomadas instituições de ensino e/ou pesquisa, como:
Escola Paulista de Medicina da Universidade Federal de São Paulo, Faculdade de Ciências Farmacêuticas da Universidade de São Paulo (USP), Faculdade de Medicina da Santa Casa de Misericórdia de Vitória, no Espirito Santo, Faculdade de Engenharia de Alimentos da Universidade de Campinas (UNICAMP), Faculdade de Medicina da Universidade Estadual de Londrina (UEL), Escola Superior de Agricultura “Luiz de Queiroz” de Piracicaba (ESALQ/USP), Faculdade de Enfermagem e Nutrição da Universidade Federal do Mato Grosso, Instituto de Ciências Biológicas e da Saúde da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, entre outras.
A Embrapa Soja, embora não tenha por missão desenvolver estudos na área médica e/ou de nutrição, tem trabalhado em parceria com algumas dessas instituições, fornecendo soja em grão, hipocótilo ou farinha para realização dos estudos citados.
Também tem acompanhado de perto os resultados obtidos em todo o mundo, inclusive através do envio de pesquisadores para participação dos simpósios internacionais citados.
Doenças cardiovasculares - As doenças cardiovasculares ainda lideram as estatísticas de causa mortis no mundo. Diversas pesquisas realizadas e divulgadas pela Associação Americana do Coração (American Heart Association-AHA) têm relacionado a redução das elevadas taxas de colesterol sangüíneo com a ingestão de proteínas de soja, em pacientes portadores desse problema e, que passaram a utilizar a soja em sua dieta diária.
Pacientes acompanhados, durante quatro semanas, por médicos da AHA e, que tiveram suas dietas adicionadas apenas de proteínas de soja, sem nenhuma outra alteração, apresentaram redução de 33% nos seus níveis de LDL-colesterol (o chamado “mau colesterol”).
Assim, a introdução de uma pequena quantidade de proteínas de soja, cerca de 20g, ou seja, o equivalente a 50g de grãos, na dieta pode ajudar na redução dos níveis sangüíneos do colesterol total e do LDL-colesterol prevenindo, portanto, diversas doenças cardiovasculares, como a arteriosclerose e o infarto do miocárdio.
Câncer - Encontro médico promovido pelo National Cancer Institute (Instituto Nacional do Câncer), nos EUA, resultou na elaboração de um documento que aponta, pelo menos, cinco compostos presentes na soja e em seus derivados que possuem ação anticancerígena.
A genisteína é um dos compostos que atua na prevenção de diversos tipos de câncer. Para que os tumores aumentem de tamanho, o organismo desenvolve novos vasos sangüíneos. Segundo pesquisadores de diferentes centros internacionais de pesquisa, a genisteína inibe a formação desses vasos e, conseqüentemente, pode inibir o desenvolvimento dos tumores cancerígenos.
Pesquisas realizadas no Japão, China e Estados Unidos mostraram que a ingestão diária de, por exemplo, 100g de tofu (“queijo” de soja) ou um copo de extrato de soja (“leite”de soja), reduzem os riscos de câncer de cólon e reto em 50%.
Pesquisas conduzidas em diferentes países da Europa, nos Estados Unidos e Japão mostraram que a adição de soja na dieta diminuiu em 40% a incidência de tumor mamário. Estudo realizado em Singapura mostrou uma redução de 50% nos riscos de câncer de mama em mulheres que consumiam regularmente alimentos à base de soja.
Há evidências de que a soja e seus derivados possuem também uma ação preventiva quanto aos riscos de câncer de estômago e pulmão.
Osteoporose - Por ocasião da meia idade, a maioria dos seres humanos começa a perder mais cálcio do que é capaz de absorver. Exames laboratoriais de densitometria óssea têm demonstrado que o consumo de soja retarda não somente as perdas ósseas relacionadas com a idade, mas também reduz significativamente a perda óssea total.
Diabetes - As fibras da soja, que ajudam no controle do colesterol, também exercem importante papel na regulação dos níveis de glicose no sangue.
As fibras dietéticas presentes na soja fazem com que os nutrientes da dieta penetrem com menor velocidade na corrente sangüínea, fazendo, assim, com que os níveis de glicose também aumentem mais lentamente.
Portanto, pacientes que controlam a doença com dieta ou medicação e, além disso, consomem soja, têm mais chances de regular os níveis de glicose no Sangue - Parafraseando o ditado, “não só de soja vive o homem” e, portanto, um único alimento não impedirá a manifestação destas doenças.
Mas a adição desse grão - “sagrado” para os chineses - à dieta, em conjunto com um estilo saudável de vida, certamente promoverá melhoria na qualidade de vida e redução de riscos de uma série de doenças
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