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Estudo sobre menopausa aprova Soja
Estudo realizado pelo departamento de Ginecologia do Hospital das Clínicas da Universidade de São Paulo concluiu que um alimento à base de isolado protéico da soja é tão eficaz no combate aos sintomas da menopausa quanto a terapia de reposição hormonal (TRH) clássica.

O ensaio clínico, que durou 16 semanas, foi feito com 98 mulheres saudáveis, com queixas de sintomas do climatério, que foram divididas em dois grupos.

Um deles tomou um repositor hormonal em comprimido, empregado na THR. O outro recebeu duas doses diárias de 30 g do alimento à base de isolado protéico da soja, mais cálcio.

Os resultados foram apresentados ontem. "Os grupos apresentaram efeitos benéfico significativos idênticos. Os resultados mostraram que se trata de alternativa adequada para um grupo importante de mulheres."

Nesse grupo estariam as mulheres com histórico de câncer, as que temem ou evitam tomar hormônios, as mais idosas e aquelas que interromperam ou querem interromper a terapia clássica.

A pesquisa avaliou os onze sintomas da menopausa que constam do índice de Kuppermann, referência internacional para esse tipo de estudo. Nos dois grupos, houve uma redução de 70% no nível geral de intensidade dos sintomas.

"O estudo mostrou que a soja tem um lugar na terapêutica dos sintomas da menopausa", disse a pesquisadora. O alimento pesquisado foi desenvolvido numa parceria entre a Esalq (Escola de Agronomia da USP de Piracicaba) e a Fugesp (Fundação para o estudo da Nutrição e Gastroenterologia).

O alimento já está sendo comercializado, assim como outros à base de fitormônios que vêm sendo testados no HC e outras instituições universitárias do país. "O objetivo é pesquisar aquilo que a população está consumindo", diz Esther Laudanna, nutróloga do HC, médica da Fugesp e uma das pesquisadoras.

"Consulte seu médico"
"É uma boa notícia para as mulheres e para o Brasil, que tem soja de sobra", disse José Aristodemo Pinotti, titular de ginecologia, diretor do serviço de ginecologia do HC e que orientou a pesquisa.

Segundo ele, os conceitos de uso da TRH mudaram e exigem atenção individualizada, como salienta Ângela Maggio. "Consultar o médico é fundamental".
Pinotti lembra que a próxima fase será o estudo dos efeitos do isolado protéico da soja nos problemas cardíacos, na osteoporose e no câncer.

O ginecologista Cesra Eduardo Fernandes, presidente da Sociedade Brasileira de Climatério (Sobrac) disse que sua entidade reconhece os efeitos positivos dos fitormônios na sintomatologia da menopausa.

"Mas a longo prazo, esses efeitos costumam ser menores que a terapêutica clássica", diz.
Esta posição constará do consenso que a Sobrac divulga no 5º Congresso Brasileiro de Climatério e Menopausa que acontece nos dias 5 a 7, em São Paulo.

Fernandes diz que há necessidade de estudos mais longos do tipo duplo-cego, quando nem pesquisador nem paciente sabem quem e o que está tomando.

Informações para leigos e médicos podem ser obtidas pelo telefone 0800-554414

Fonte: Folha de São Paulo - Aureliano Bicarelli