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A
ciência pesquisa substâncias para retardar
o desgaste do corpo e melhorar a qualidade de vida, mas
cuidar da dieta e fazer exercícios ajuda muito
O
elixir da juventude ainda não foi encontrado
e talvez nem venha a sê-lo. Mas, se o tempo não
pára, a medicina também não. Mais
do que ampliar a duração da vida, o que
se busca hoje é aumentar a sua qualidade. Por
isso, cada dia novas substâncias são testadas
na esperança de acrescentar saúde, disposição,
capacidade funcional e prazer à vida das pessoas.
Os resultados obtidos até agora não apresentam
uma fórmula mágica para afastar o fantasma
do envelhecimento, mas deixam claro que, se o processo
é inexorável, ele não precisa ser
devastador.
Se o organismo já tiver armazenado, nas décadas
anteriores, um bom estoque de reserva energética,
a situação melhora. Ele chegará
à segunda metade da vida com mais munição
para se dar bem no início do temido processo
de declínio biológico. Até os 40
anos, a natureza trabalha a nosso favor, construindo
e consolidando órgãos e sistemas. A partir
daí, a curva começa gradualmente a se
inverter, produzindo transformações físicas
e psicológicas importantes.
Gostemos ou não, o envelhecimento é um
processo natural. O corpo perde mais água, deixando
a pele mais seca e enrugada. Os radicais livres - moléculas
que promovem o desgaste das células - começam
a ganhar a guerra contra as enzimas antioxidantes, encarregadas
de combatê-los e de reparar os danos que causam.
Como conseqüência, a degeneração
passa a ser maior do que a reposição celular.
Esse mecanismo afeta todo o organismo. Para se ter uma
idéia, a partir dos 35 anos o desempenho dos
rins piora numa proporção de 1% ao ano
em relação ao que pode processar antes
dessa idade. Outro exemplo: a partir dos 40 anos, as
pessoas começam a acumular mais gorduras, principalmente
nas coxas e no abdome. E quando elas atingem os 60,
são acometidas, em média, por duas a cinco
enfermidades crônicas. "Isso ocorre porque
a reserva energética acumulada no decorrer da
vida para situações emergenciais de esforço,
stress ou outros males também diminui. Por essa
razão, as doenças que acometem idosos
são mais graves e prolongadas". Explica
Clineu de Mello Almada Filho, diretor do Centro de Estudos
do Envelhecimento da Universidade Federal de São
Paulo.
A descoberta desse processo levou a ciência a
apostar que os radicais livres seriam os vilões
do envelhecimento e as vitaminas especialmente C e E
-, os antídotos para deter o processo. Apesar
da perspectiva promissora, não se avançou
muito nesse terreno. "A teoria dos radicais livres
é maravilhosa do ponto de vista teórico,
mas sua aplicação clínica é
difícil, e os trabalhos com o uso de vitaminas
não comprovaram benefícios", afirma
Fábio Nasri, endocrinologista e geriatra do Hospital
Albert Einstein de São Paulo.
Proteção - Em relação ao
homem, a população feminina tem uma desvantagem:
a menopausa, um marco de declínio hormonal abrupto.
"O impacto do envelhecimento" ovariano, em
especial do término da produção
do hormônio estrógeno, é grande
e responde, entre outros eventos, pela ocorrência
maior de problemas nas estruturas ósseas e musculares.
Sem a proteção da substância, por
exemplo, a mulher fica mais vulnerável a doenças
do coração e o metabolismo de gordura
e açúcar se altera. Como conseqüência,
o colesterol se eleva, assim como as chances de ocorrer
diabete.
Até pouco tempo atrás resignar-se era
tudo o que uma mulher de 40 anos podia fazer para enfrentar
essa situação e o desconforto dos sintomas
ligados à menopausa - como secura vaginal, irritação
e depressão. Hoje, a terapia de reposição
hormonal é uma opção para muitas
mulheres. "Os benefícios são evidentes.
Os riscos de osteoporose diminuem. O humor, a libido,
a memória e o desempenho intelectual são
favorecidos", defende o ginecologista César
Fernandes, presidente da Sociedade Brasileira de Climatério.
A dona de casa Yeda Azzi, 60 anos, sabe bem disso. Depois
de relutar durante anos devido ao medo de engordar (uma
das desvantagens do tratamento), iniciou a terapia há
seis meses. Está satisfeita com a opção.
"Três meses depois, já sentia uma
diferença enorme, principalmente no humor e na
capacidade de lidar com dificuldades", comemora.
Prêmio - A reposição hormonal, entretanto,
não resolve todos os casos. A advogada Aide Minozzo
tomou outro caminho. Há 20 anos, decidiu preparar
uma velhice saudável. Mudou a alimentação,
passou a correr oito quilômetros por dia, aboliu
o cigarro e o álcool. Ganhou como prêmio
uma condição física extraordinária
para os seus 56 anos. Disposta a prolongar a boa forma,
resolveu se submeter à reposição
como prevenção. "Tentei vários
métodos e nada funcionou. Os hormônios
me tiram a energia e provocam inchaço. Para mim,
o caminho é levar uma vida saudável",
afirma.
Entre os médicos, a terapia hormonal não
é uma unanimidade. O nó da questão
é a possibilidade de a reposição
aumentar a incidência de câncer de mama.
Há outros temores. "Estudos americanos recentes
mostraram que ela não traz benefício cardiovascular
para a mulher. Não reduz a incidência de
infarto, não melhora o controle da hipertensão
e do colesterol e ainda por cima aumenta o risco de
embolia pulmonar", revela Nabil Gorahyeb, diretor
da Sociedade Brasileira de Cardiologia. Diante disso,
os cardiologistas recomendam que prossigam com reposição
apenas as mulheres em tratamento há mais de um
ano. As outras só devem iniciar a terapia se
o propósito principal for ginecológico.
Perda de massa e força musculares são
transformações que acontecem a partir
dos 35 anos. Uma fórmula consagrada para atenuar
esse processo é fazer exercícios regularmente.
Ainda está em pesquisa mais uma alternativa:
a injeção de hormônio de crescimento,
o HGH. Os efeitos positivos são diversos. Ele
aumenta a força, diminui a gordura e favorece
a absorção de produção de
proteínas. Mas os médicos alertam que
o HGH não deve ser usado sem avaliação
médica rigorosa. "São necessários
mais estudos para conhecer seus efeitos a longo prazo.
Os cânceres estão cheios de fatores de
crescimento. Não se sabe, por exemplo, se o hormônio
pode acelerar o desenvolvimento de algum problema em
fase inicial", adverte Almada Filho.
A falta de resultados mais promissores no estudo de
substâncias que poderiam atenuar o envelhecimento
e melhorar a qualidade de vida não deve ser interpretada
como um adeus às esperanças, dizem os
pesquisadores. Trabalhos em andamento podem resultar
em novas soluções. Estuda-se, por exemplo,
a ação do cortisol (hormônio secretado
em situações estressantes) sobre a memória.
A vertente que avalia os efeitos da raiva e do stress
no aparecimento ou piora de doenças tem sido
investigada. A Terapia genética também
é uma promessa. Enquanto não surgem novas
respostas, a recomendação dos médicos
é investir no time que já está
vencendo. A partir dos 40 anos, a saúde deixa
de ser um bem herdado para se tornar um bem conquistado.
A maior parte das doenças está relacionada
a hábitos errados. "O caminho mais eficaz
ainda é adotar um estilo de vida saudável
porque, se as pessoas não gerenciarem sua saúde,
terão que gerenciar sua doença",
resume Nasri.
O
que acontece com as pessoas
Cérebro:
entre 20 e 80 anos, mais de 20% da massa encefálica
se perde.
Pele e cabelos: a pele perde água, viço
e elasticidade. Aos 40 anos a pele tem 15% menos água
do que na juventude. A musculatura facial se torna mais
flácida. Os fios de cabelo ficam mais finos e
caem com maior freqüência.
Músculos: a partir dos 35 anos, a massa
muscular começa a ser substituída por
gordura e os músculos perdem força. Aos
50 anos, a força muscular de uma pessoa sedentária
estará 30% menor.
Gordura: a partir da quarta década de
vida, o metabolismo se torna mais lento, favorecendo
o acúmulo de gorduras, especialmente na coxa,
abdome e quadris.
Ossos e articulação: a partir de 35 anos
ocorre uma perda gradual de massa óssea devido
à queda de produção dos hormônios
femininos. Os ossos se tornam porosos , fracos e quebradiços
(osteoporose). Após a menopausa a perda é
de 4% ao ano. Aumenta o desgaste das articulações.
Ovários: Após a menopausa, eles
deixam de produzir os hormônios femininos estrógeno
e progesterona. No Brasil isso ocorre por volta dos
48 anos.
Rins: a partir dos 35 anos, a função
renal cai 1% ao ano.
Outras informações: depois dos
35 anos, as células perdem mais água e
os mecanismos que as mantêm em equilíbrio
se alteram. A degeneração celular começa
gradualmente a se tornar maior que a reposição.
A chance de hipertensão é de 50% após
os 60 anos e a de diabete de 20%.
FONTE: REVISTA - ISTO É - ESPECIAL SAÚDE
DA MULHER SET/OUT/2001
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